terça-feira, 6 de setembro de 2016

COMO NOSSAS CRIANÇAS SEGUIRÃO UM CAMINHO DE LUZ?


Por Sri Prem Baba

Sri Prem Baba, iniciou sua atual jornada neste planeta em 1965. Nascido em São Paulo, no bairro Aclimação, foi batizado com o nome de Janderson Fernandes de Oliveira. Devido a intensas experiências espirituais para as quais não tinha explicação, Janderson era uma criança inquieta e trazia muitos questionamentos a respeito do sentido da vida. Sua avó (por quem foi criado) era cristã, e com isso iniciou sua vida espiritual no cristianismo, mas, desde cedo, desafiava a religião e o que diziam de acordo com a bíblia. 

Pergunta: Amado Mestre, como fazer para que nossas crianças cresçam naturalmente saudáveis? Dê-nos orientação sobre como conduzi-las no caminho da luz.

Prem Baba: Este é um tema complexo, muito profundo que requer tempo para que possamos destrinchá-lo. Podemos fazer isso aos poucos. De tempos em tempos, eu volto ao assunto e vou acrescentando elementos a esta reflexão. Mas podemos iniciar esse ciclo de estudos através do primeiro valor que tenho sugerido como sendo o mais urgente e necessário nesse momento desta jornada evolutiva, que é a honestidade. A honestidade tem como valores adjacentes a verdade, a integridade e a ética. Honestidade é o valor mais clemente neste momento, porque podemos dizer, de forma sintética, que a grande ilusão cósmica que cobre a nossa percepção é a mentira. São camadas de mentiras na forma do autoengano que se traduz também como esquecimento; esquecimento da verdade de quem somos.

No núcleo da mentira está a ideia da vítima. A primeira camada de ilusão faz com que a entidade se sinta um ‘eu’ separado, isolado, portanto, o primeiro véu de ilusão produz a ideia de ‘eu’ e de ‘meu’. Daí nasce a carência e todos os desdobramentos que advém dessa ideia de um ‘eu’ separado, isolado e vítima. E talvez possamos dizer que o principal produto da ideia de vítima seja a ingratidão. Da ingratidão vêm os pactos de vingança e os jogos de acusações. Os desdobramentos são infinitos, são legiões de ‘eus’ psicológicos que são desenvolvidos, com os quais vamos nos identificando de tempos em tempos.

Embora o ego seja reencarnante, todo o drama é reeditado na primeira infância, na relação com os pais. Primeiro na relação com a mãe, que abriga a criança no ventre, e ainda depois, por um certo período, através da amamentação. E, aos poucos, a criança começa a sentir também a presença do pai, embora ele esteja presente desde o primeiro momento da fecundação, mas é uma presença que fica de fundo. Na frente está a presença da mãe. Essa mãe para a criança representa o mundo. Ela começa a experimentar o mundo através desse contato com a mãe e, especialmente, através da amamentação, quando ela tem contato com a bondade, misericórdia e amor infinito. Ela também tem contato com a miséria humana, o egoísmo, o ódio, a ignorância.

A criança aprende através do exemplo. Seria tremendamente benigno para a evolução da consciência humana nesse planeta se a mãe tivesse sido realmente preparada para a maternidade e, obviamente, que o pai tivesse sido preparado para exercer a paternidade. Seria tremendamente benéfico se os pais estivessem conscientes do significado de trazer uma criança ao mundo. A concepção deveria começar lá atrás quando o casal está se preparando para trazer a criança ao mundo. Mais benéfico ainda se os pais estivessem maduros o suficiente para ter o que dar para a criança, e dar, especialmente, respeito, confiança, para minimizar os impactos da formação do ego que é inerente a esse plano e a do principal núcleo que estrutura o ego da criança, que é o círculo vicioso do amor imaturo. A criança chega com a necessidade de amor exclusivo até que ela possa se fortalecer e caminhar com as próprias pernas. Amadurecer e desenvolver uma autêntica autossuficiência que se manifesta quando podemos compartilhar os nossos tesouros, os tesouros que trouxemos para compartilhar.

Isso é possível quando podemos agradecer o ar que nos permite respirar. E como isso está relacionando com a mãe? Em um primeiro momento, temos a mãe como a Mãe Natureza, como alimento, como abrigo, a roupa que nos aquece. Até mesmo o corpo, que é o nosso veículo, é uma manifestação da Mãe. As capas que encobrem purusha é prakriti. São manifestações da Mãe. A combinação dos elementos terra, fogo, água, ar, éter é o que chamamos de matéria. O aspecto da Mãe que nos dá o sustento, que nos dá o que necessitamos para viver a experiência na Terra, nós chamamos de Mahalakshmi. O ego imaturo não confia que a mãe vai suprir suas necessidades. Isso começa lá atrás, quando o leite é carregado de maldade, carregado de desamor, de desrespeito. Mesmo que isso se manifeste de uma forma inconsciente.

Isso vai acordando memórias de vidas passadas onde a entidade sofreu privação; onde sofreu as amarguras do desamor, e aí, a cadeia de ignorância é acionada. Então, até que a criança possa crescer, se tornar um adulto e ter o intelecto desenvolvido a ponto de procurar ajuda para poder compreender de onde vem a sua insegurança, de onde vem sua falta de fé na vida (porque está sempre atraindo situações difíceis), muita miséria já foi recriada e a rede do mau karma vai se expandindo. De alguma maneira, essa cadeia precisa ser interrompida. Independente de como essa criança foi concebida, eu tenho inspirado todos àqueles que estão comigo a olharem para as crianças como atma, o Espírito divino em desenvolvimento. Embora a criança seja um corpo em desenvolvimento, o atma que a habita é o mesmo atma universal, uma fagulha do parmatma, o Supremo inefável, o Absoluto. A alma é sábia e muitas vezes tem muito que nos ensinar. Ela já vem com um programa bem definido, um propósito bem definido; já vem com talento, com dom, com uma visão para este mundo e precisa de suporte, de amparo para que isso seja revelado e compartilhado.

Ao mesmo tempo, a criança precisa de limites e cuidados. Às vezes precisa de limites firmes, mas limites que precisam nascer de um coração amoroso, altruísta, que esteja realmente vendo a criança, nascendo do respeito por ela e não pela sua criança ferida. Precisa haver uma transparência na relação com a criança. É assim que nós vamos ensinando o primeiro valor, que é a honestidade. Através da transparência e do respeito; do exemplo. Tendo coragem de admitir suas imperfeições quando elas surgem, tentando evitar ao máximo repetir o círculo vicioso que acusa a criança; que faz ela se sentir errada, se sentir inferior; que vai engessando a criança na ideia da vítima, que por sua vez aciona a ingratidão, as vinganças, as acusações e todo o círculo vicioso do sadomasoquismo. Ensinar a auto responsabilidade sem cair no jogo de acusações é uma grande arte; sem fazer a pessoa se sentir culpada é uma grande arte.

Esse é o trabalho que eu estou fazendo com vocês aqui. Vocês são meus filhos e filhas espirituais. Às vezes eu preciso mostrar as suas imperfeições. Eu preciso fazer você olhar no espelho e encarar o seu pequeno ‘eu’, até que você possa se não mais se identificar dele e alcançar a verdade do Eu Maior. Mas esse processo é difícil, porque, muitas vezes, a pessoa sai da ignorância sobre o seu ‘eu’ Inferior e começa a creditar que é a pior das criaturas, se sente culpada e tem que lutar com a culpa – que é outro aspecto da natureza inferior, que entra pela porta dos fundos – até que a pessoa possa ir além desse véu e realmente experimentar a auto responsabilidade. O mesmo se dá com a relação com a criança quando você está ensinando sobre limites e auto responsabilidade. Com a mais sutil falta de cuidado você acaba ativando a culpa, especialmente quando ela traz imagens de vidas passadas.

Mas, de qualquer maneira, eu sinto que valores como honestidade e auto responsabilidade são os principais aspectos que precisam ser ensinados. Isso você ensina através de exemplo, de forma que a criança possa se tornar honesta e auto responsável, de forma que ela possa, desde cedo, confiar nela mesmo e, consequentemente, confiar na vida. A autoconfiança é base da realização. A autoconfiança só nasce quando você se liberta da ideia da vítima.

Você pode ajudar a preparar o campo para que a criança comece cedo a agradecer; para poder compartilhar os tesouros. Você está ajudando a conduzi-las no caminho da luz. Compartilhar os tesouros e agradecer a vida te coloca no caminho da luz. E o caminho da luz é infinito.

Esse trabalho psico espiritual de cura e transformação é só a base. Por mais fundamental e importante que seja, não é ainda a parte mais importante. Um prédio tem que ter fundação. É importante a fundação. Se não tem fundação, você não pode construir paredes, mas se só tem a fundação e não têm paredes, você não tem uma casa para morar. Quando você chega nesse estágio de poder se harmonizar com a sua constelação familiar e poder agradecer, você completa um ciclo; termina a fundação da casa. Chamamos de iniciações menores. São nove iniciações menores. Aí, depois, começam as iniciações maiores, que é aprender a navegar no mistério, lidar com o poder espiritual. E enquanto você está construindo as fundações, você tem notícias do quem vem lá na frente, mas só notícias. Quando a fundação está pronta, você começa a levantar as paredes e vê que é infinito, mas a base é constituída do compartilhar e do agradecimento. Isso é básico e o que faz de você humano; antes disso não podemos dizer que somos humanos. Costumamos dizer que somos entidades humanas em evolução. Humano manifesta valores humanos. E só o humano pode se tornar Divino. É o processo natural de evolução.

Eu sei que só de abrir esta página do livro da vida eu já te coloco em uma situação desafiadora. Especialmente se você é mãe ou pai. Até que você possa realmente acordar a auto responsabilidade, às vezes tem que lidar com culpa e muitas situações internas difíceis, especialmente com confusão. “Como eu faço?” Alguns chegam até a pensar porque inventaram ser mãe ou pai numa hora destas. Eu digo: respira fundo, muita calma nesta hora! Devagar você vai recebendo suporte e instruções para saber como agir, mas eu tenho o dever de lhe falar a verdade. É um desafio mesmo, porque a ignorância procria ignorância. A gente tem que romper este ciclo de repetições negativas. Temos esta responsabilidade nas mãos. Temos o dever de interromper este ciclo de repetições negativas.

Você que está ouvindo o chamado dos santos e conseguindo chegar até aqui para receber o darshan, você tem um papel dentro do Parivarthan, a grande transição planetária. Você tem um dever; e até onde pode, você tem que interromper esse jogo de repetições negativas. E começa a fazer isso quando se move em direção ao conhecimento de si mesmo. O autoconhecimento possibilita compreensão; compreensão evoca o perdão e o perdão evoca o compartilhar e a gratidão. Aí você pode ascender para os Reinos Superiores.

Há pouco tempo eu dei uma entrevista para o Swami Guiridary, do Templo de Krishna e a última pergunta foi: “Como seria uma mensagem simples, direta, que você daria para quem está no caminho em busca da autorrealização?” Eu disse: “Persiga a gratidão”. Se você não pode ser grato pelo ar que você respira, trate de compreender a sua ingratidão, porque a ingratidão fecha o coração e te mantem identificado com a vida, com o jogo de acusações e todas as misérias da natureza inferior. O mais prático: persiga a gratidão. E quando ela se manifesta, você sente alegria. Aí você sobe.

Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos cada vez mais compartilhar e agradecer.

Até o nosso próximo encontro.

Namastê.
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Blog Feminino Quântico:http://www.femininoquantico.com.br/2016/09/como-nossas-criancas-seguirao-um.html
Fonte: Prem Baba

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