sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

AS DEUSAS COMO IMAGENS INTERIORES


As Deusas e a Mulher: As Deusas como Arquétipos

Por Rebeca Crivelaro Campos
26 de Fevereiro de 2016


No segundo post da série "As Deusas e a Mulher", Bolen faz um paralelo da psicologia junguiana com as deusas. Explica inicialmente como ela categoriza os arquétipos das deusas em grupos. Com essas informações, já torna possível que você identifique qual a deusa ou deusas predominam em você e qual delas tem que ser ativada em seu interior. Se essas informações ainda não forem suficientes, não se preocupe, nos próximos posts da série irei repassar as características de todas as deusas de forma detalhada. Boa leitura!

Gratidão
Rebec@

AS DEUSAS COMO ARQUÉTIPOS

A imagem interior em ação na psique - uma imagem que determina comportamento e respostas emocionais inconscientemente - é um arquétipo. Somente quando essas imagens se adaptam aos sentimentos da mulher é que as deusas são úteis, porque os arquétipos realmente não têm nome. Jung introduziu o conceito de arquétipo na psicologia. Ele viu os arquétipos como padrões de comportamento instintivo que estavam contidos no inconsciente coletivo. O inconsciente coletivo é a parte do inconsciente que não é individual, mas universal. Os mitos e os contos de fada são expressões de arquétipos. Como padrões preexistentes, eles influenciam o modo como nós nos comportamos e como reagimos aos outros. 

Os arquétipos descritos são das sete deusas: Héstia, Deméter, Ártemis, Atenas, Afrodite, Perséfone e Deméter. Dividi essas sete deusas em três categorias: as deusas virgens, as deusas vulneráveis e as deusas alquímicas ou transformativas. 

O primeiro grupo é o das deusas virgens: Ártemis, Atenas e Héstia. As deusas virgens representam a qualidade de independência e auto-suficiência das mulheres. Como arquétipos, elas expressam a necessidade de autonomia e capacidade que as mulheres têm de enfocar sua percepção naquilo que é pessoalmente significativo. Ártemis e Atenas representam meta direcionada e pensamento lógico, o que as torna arquétipos de realização orientada. Héstia é o arquétipo que enfoca a atenção interior para o centro espiritual da personalidade de uma mulher. Essas três deusas são arquétipos femininos que procuram ativamente seus próprios objetivos. Elas ampliam nossa noção de atributos femininos, para incluir competência e auto-suficiência.

O segundo grupo - Hera, Deméter e Perséfone - é o das deusas vulneráveis. As três deusas vulneráveis representam os papéis tradicionais de esposa, mãe e filha. São deusas-arquétipos orientadas para o relacionamento, e suas identidades e bem-estar dependem de um relacionamento significativo. Expressam as necessidades que as mulheres têm de adoção e vínculo. São sintonizadas aos outros e sensíveis. 

Afrodite, a deusa do amor e da beleza, mais conhecida pelo nome romano Vênus, está na terceira categoria, a das deusas alquímicas. Era a mais bela e irresistível das deusas. Teve muitos romances e muita descendência, devido às suas numerosas ligações. Produziu amor e beleza, atração erótica, sensualidade, sexualidade e vida nova. Viveu relacionamentos de sua própria escolha e nunca foi ludibriada. Assim, manteve sua autonomia como deusa virgem, mas nos relacionamentos era uma deusa vulnerável. Sua consciência era enfocada e receptiva, permitindo dupla alternância através da qual ambos, ela e o outro, eram afetados. O arquétipo de Afrodite motiva as mulheres a procurarem intensidade nos relacionamentos, em vez da permanência neles; motiva-as a valorizarem o processo criativo e a serem receptivas às mudanças.

O arquétipo da Grande Deusa tem um efeito mais poderoso do que o de qualquer outro arquétipo; ela é capaz de despertar medos irracionais e de distorcer a realidade. As deusas gregas eram menos poderosas do que a Grande Deusa, e mais especializadas. Cada uma tinha seu próprio domínio e poder, que eram limitados àquele império. Na psique das mulheres, as deusas gregas também são forças menos poderosas que as da Grande Deusa; seu poder de serem emocionalmente esmagadoras e falsearem a realidade é menor.

Das sete deusas gregas que representam os principais padrões comuns arquetípicos nas mulheres, Afrodite, Deméter e Hera têm o máximo poder de ditar o comportamento. Deméter também é uma variante menor da Grande Deusa em sua função de deusa mãe, assim como Hera é uma variante menor da Grande Deusa como rainha do céu.

Os arquétipos existem além do tempo, indiferentes às realidades da vida de uma determinada mulher ou de suas necessidades. As deusas são modelos ou representações daquilo com que as mulheres se assemelham. Elas representam padrões inerentes ou arquétipos que podem modelar o curso da vida da mulher. Todas as deusas estão potencialmente presentes em cada mulher. As deusas, portanto, representam modelos que refletem a vida numa cultura patriarcal.

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Blog Feminino Quântico:http://femininoquantico.blogspot.com/2016/02/as-deusas-como-imagens-interiores.html
Fonte: BOLEN, Jean Shinoda As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres. São Paulo: Paulus, 1990. (Coleção Amor e Psiquê). *Resumo da obra original com adaptações feitas por Rebeca Crivelaro Campos.

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